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Atribuída a função de descobrir o que era isto da “Flutuação”, Michael Hutchison iniciou um projecto de compilação de informação e teoria sobre a flutuação que permitisse explicar o funcionamento desta terapia tão simples e eficaz. “The Book of Floating” foi o resultado desta pesquisa, sendo até agora o livro mais completo e explicativo sobre o fenómeno da flutuação. Segue a tradução de alguns extractos editados (para resumo da teoria) deste livro

The Book of Floating – Exploring the private sea, do Michael Hutchison  (Gateway books 1984)

“Não há dúvida nenhuma que a flutuação funciona – como terapia, ferramenta educacional e de entretenimento, a flutuação tem efeitos poderosos em diversos níveis, incluindo o físico, o emocional, o intelectual e o espiritual. Mas porque é que a flutuação é assim tão eficaz? O que pode ser tão activamente benéfico vindo de um aparelho aparentemente tão pacifico? Esta é uma questão que tem intrigado cientistas de tal modo que hoje em dia continua-se a realizar pesquisas em laboratórios em todo o mundo. As evidências acumuladas até agora podem ser agrupadas em várias explicações distintas embora interligadas. Estas são algumas das mais importantes:


A capacidade de boiar sem esforço conseguida pela densidade da solução causada pelos sais de Epsom elimina a gravidade específica do corpo permitindo que o flutuante experiência a sensação de estar quase 100% sem peso. Tem sido estimado que a força da gravidade ocupa ate 90% da actividade do sistema nervos central, é provavelmente a maior causa singular dos problemas da saúde humana – as dores das costas, abdominais descaídos, pés doridos e tensão muscular resultam da nossa postura erecta que é singular e pouco natural. Esta teoria afirma que, ao libertarmos a nossa mente e sistema ósseo da força da gravidade com a flutuação, libertamos grandes quantidades de energia e zonas do cérebro para que ela possa lidar com questões de mente e espírito enquanto realça a consciência dos estados internos.


Mais interessantes que as conhecidas ondas alfa criadas pelo cérebro em momentos de relaxamento, são as ondas mais lentas – teta, que são acompanhadas por memórias vivas, associação livre, introspecções repentinas, inspiração criativa, a sensação de serenidade e unicidade com o universo. Trata-se de um estado misterioso e alusivo, potencialmente muito produtivo e esclarecedor; mas a experimentação tem tido dificuldades em estuda-lo como é um estado difícil de manter, sendo que as pessoas tendem a ficar a dormir logo que começam a gerar as ondas teta. Uma forma de aprender a produzir ondas teta é o de aperfeiçoar a arte de meditação. Um estudo sobre os monges Zen realizado pelo Akira Kazamatsu e Tomio Hirai, em que as ondas cerebrais dos monges foram mapeadas enquanto eles entravam nos estados meditativos, indica que os 4 níveis meditativos (do alfa ao “sublime teta”) “estavam em paralelo com o estado mental dos mesmos e dos anos gastos em formação Zen”. Os monges com mais de vinte anos de experiência meditativa geravam a maior quantidade de ondas teta, os monges não estavam a dormir mais sim em estado mental alerta. No entanto, como a grande maioria de nós não estamos dispostos a treinar a meditação para conseguir gerar as ondas teta, é útil saber que estudos recentes (na Texas A&M e na universidade de Colorado) indicam que a flutuação aumenta a produção de ondas teta. Os flutuantes facilmente entram no estado teta enquanto mantêm-se acordados, conscientemente ciente de todas as imagens nítidas e pensamentos criativos que surgem nas mentes. Depois de saírem do ambiente da flutuação, os flutuantes continuam a gerar maior número de ondas promotoras de criatividade teta até 3 semanas depois da flutuação.


Os dois hemisférios ou o neocortex operam em modos fundamentalmente diferentes. O hemisfério esquerdo é excelente com os pormenores, processando a informação de pequena escala, que requer resolução fina, ele opera de uma forma analítica por cisão ou dissecação. O hemisfério direito, por outro lado, é muito bom em unir todas as partes. Opera por reconhecimento de padrões – visualmente, intuitivamente, absorvendo rapidamente grandes quantidades de informação. Tal como é difícil ver as estrelas num dia de sol radiante, os conteúdos subtis do hemisfério direito são usualmente afogados pelo barulho verbal e analítico dominante do lado esquerdo, cujas qualidades são mais cultivadas e valorizadas na nossa sociedade. Mas pesquisas recentes indicam que a flutuação aumenta o funcionamento do lado direito (ou hemisfério menor). A Flutuação desliga a estimulação externa, mergulha-nos na escuridão literal e figurativa - então de repente o universo inteiro das estrelas e das galáxias é espalhado em frente dos nossos olhos. Ou como o investigador do cérebro Dr. Thomas Budzynski da universidade de Colorado diz, “em um ambiente da flutuação, o hemisfério direito sai e diz, 'Whoopee ".  


Numa série de estudos de seminário produzidos nos últimos vinte e cinco anos, Paul MacLean, investigador cerebral principal no Instituto Nacional para a Saúde Mental (E.U.), produziu evidências convincentes de que o cérebro humano tem três camadas fisiológicas separadas, correspondendo cada uma, a uma etapa na nossa história evolutiva. Nesta de “teoria do cérebro Triune,” a camada mais antiga é chamada o cérebro do réptil, e controla funções de sustento básicas de auto-conservação, reprodução e da vida. Sentando-se sobre o cérebro réptil, está o sistema iambic, que MacLean deu o apelido de cérebro visceral, porque gera todas nossas emoções. A parte mais recente do cérebro a desenvolver-se é “a área pensadora” da matéria cinzenta chamado o neocortex, base das nossas funções abstractas, cognitiva; memória, intelecto, língua, e consciência. Enquanto estes três cérebros separados têm funções sobrepostas, são no entanto completamente diferentes no que diz respeito á química, à estrutura, à acção, e ao estilo. Três cérebros deviam ser melhores que um, mas infelizmente, devido a um erro desastroso do projecto, existe insuficiente comunicação e uma coordenação entre o neocortex e os dois níveis mais velhos. Esta falta de comunicação resulta numa dissociação crónica entre o mais elevado e os cérebros mais baixos, que MacLean chama schizaphysiologia, e que nós experienciamos na forma de impulsos opostos – inconsciência e consciência, selvagem e civilizado, desejo e ternura, ritualista e simbólico, racional e verbal. Há alturas em que os três níveis agem na harmonia, como nas experiências de pico quando o corpo e a mente se unem em momentos emocionantes de vitalidade, quando as nossas acções vêm espontaneamente sem esforço. Mas é difícil prever quando estes momentos perfeitos ocorrerão. Agora já há evidências que sugerem que, devido à consciência interna acentuada e o estímulo físico diminuído, a flutuação aumenta a organização vertical do cérebro, realçando uma comunicação e a harmonia entre os distintos níveis. Já existe a tese que a Flutuação pode fornecer-nos com as experiências pico quase à nossa vontade.


Os Neurocientistas descobriram recentemente que o cérebro é um órgão do endócrino que segrega numerosos neuroquímicos que influenciam o nosso comportamento. O nosso cérebro segrega hormonas que nos fazem sentir felizes, ansiosos, comprimidos, tímidos, adormecidos, e atraentes. Cada um de nós cria quantidades diferentes destes vários neuroquímicos, e aqueles que criam, por exemplo, mais endorfinas - opiáceos naturais - experimentam mais prazer em consequência de uma determinada experiência do que aqueles que criam poucas endorfinas. Os testes indicam que flutuação aumenta a secreção de endorfinas ao mesmo tempo que reduz os níveis de um número de neuroquímicos relacionados com o stress, tais como a adrenalina, a noraepinefrina, os ACTH, e o cortisol - as substâncias que podem causar a tensão, ansiedade, irritabilidade, e estão relacionadas as doenças de coração, a hipertensão e níveis elevados do colesterol.


Por causa da pesquisa de “biofeedback” (incluindo o estudo conclusivo de John Basmajian, investigador de Johns Hopkins, sobre indivíduos que conscientemente manipulam neurónios específicos), sabemos agora que os seres humanos podem aprender a exercitar o controlo consciente sobre virtualmente cada célula nos seus corpos. Os processos desde há muito considerados involuntários tais como: o ritmo e a amplitude de nossas ondas cerebrais, a cura, tensão arterial, o ritmo ou esforço dos batimentos cardíacos, o ritmo respiratório, a tensão muscular, e a secreção das hormonas e dos neurotransmissores; consideram-se agora controláveis. As máquinas de biofeedback funcionam por enaltecer a concentração; enquanto se está focando num alteração subtil no corpo que esta a ser amplificada pela máquina, somos capazes de desligar a nossa percepção do ambiente externo. Este “desligar” do estímulo externo é exactamente o que o ambiente da flutuação consegue fazer melhor - quase como se estivéssemos numa máquina “orgânica” do biofeedback, na cápsula cada sensação física é ampliada, e porque não há nenhuma possibilidade de distracção exterior, nós podemos relaxar profundamente e focar à nossa vontade sobre qualquer parte ou sistema do nosso corpo.


Afirmar que a cápsula de flutuação funciona porque isola completamente o mundo exterior pode parecer muito óbvio. Mas é importante relembrar que os efeitos mais poderosos são alcançados não pelo que acontece mas sim pelo que não acontece durante a flutuação: barulho, luz, gravidade, outras pessoas, o sentido de tempo, entre outros. O investigador, Peter Suefeld, considera que a “fome por estímulo” criado por um ambiente de pouco estímulo á mente, permite que a mesma esteja mais aberta a qualquer estímulo que possa vir a receber. A experiência da cápsula produz a desautomatização da nossa percepção do mundo. Ao nível sensorial, isto explica o porque do mundo parecer tão fresco, as cores tão vivas quando saímos da cápsula. Os nossos modos automáticos de perceber o mundo são interrompidos pela experiência na cápsula, deste modo quando saímos percebemos o mundo com uma nova intensidade de atenção. O mundo torna-se novo.


Hoje em dia a maioria dos estímulos de stress resultam de factores subtis, não identificados ou indirectos: como a poluição sonora; negócio; pressões familiares e sociais; (…) desemprego; crime de rua etc. A pesquisa já demonstrou que hoje em dia a maioria das pessoas têm tal nível de tensão habitual e stress crónico que nunca durante a sua vida adulta experienciaram o estado de verdadeiro relaxamento.

Os cientistas já demonstraram que a flutuação activa uma resposta psicológica que é paralelo a, e tão forte como o da “luta ou fuga”. Esta resposta mobiliza os recursos do corpo de modo a criar um estado activo, alerta, positivo e benéfico estado de relaxamento. Flutuar aumenta a nossa tolerância para com o stress.


A manipulação de imagens mentais é provavelmente a técnica mais antiquada de mobilização das energias internas de auto cura e auto regulação. Os investigadores descobriram que a forma mais efectiva de manipular qualquer processo do corpo é pela visualização. Por qualquer razão, quando a mente percebe algo como estando acontecendo ela tende a gerar alterações orgânicas.

A cápsula de flutuação é o ambiente ideal para a visualização, pois o relaxamento que assegura é tão profundo que a mente facilmente gera uma quantidade sem precedente de ondas teta que são muito lentas, fortes e rítmicas, estando associadas a imagens reais. Na cápsula, o relaxamento profundo e a forte capacidade de visualização vêm espontaneamente e sem esforço.


O professor Mihaly Csikszentmihalyi dedicou-se ao estudo das actividades ditas autotelicas (ie: de auto realização) muitas vezes associados a jogadores de xadrez, compositores, dançarinos (…) e outros que realizavam actividades que gostam profundamente para tentar entender a razão pelo qual são intrinsecamente recompensadores. Ele definiu este estado dinâmico como “fluxo” – a sensação holística que as pessoas sentem quando agem com envolvimento total. As qualidades essenciais do “Fluxo - um sentido de descoberta, exploração, resolução de problemas, novidade, desafio, a junção de acção com consciência; distorção da noção do tempo; um sentido de controlo que advém do encaixe do grau de dificuldade com capacidade, e, acima de tudo, a sensação de grande prazer que resulta da combinação de todos os elementos – são essencialmente as mesmas qualidades da flutuação. Como em todas as experiências de “Fluxo”, as recompensas da flutuação podem ser encontrados na experiência em si.


Será que a experiência da cápsula assemelha-se ao “retorno ao útero"? Os paralelos são marcantes. Como as mulheres grávidas produzem até oito vezes os níveis normais de endorfinas, o feto experiência um estado pré natal de extremo bem-estar. Quando um flutuante está suspenso na solução densa, morna, envolvido na escuridão, com o corpo a pulsar ritmicamente, e o cérebro a bombardear endorfinas, é possível que as memórias subconscientes sejam mexidas e associações profundas vêm ao de cima.”Mas alguns consideram que isto só não explica completamente a sensação de “Ahh, finalmente em casa” que tantos sentem ao entrarem na cápsula. Os biólogos Sir Alister Hardy e Elain Morgan, defendem que o homem evoluiu de um ambiente aquático, e que temos esta memória intrínseca. Será que esta teoria é válida? Se sim (…) então somos “bebés de água” em vários sentidos e o ambiente de água salgada é o nosso elemento natural.


O corpo humano tem um sistema requintadamente sensível de auto-monitorização e auto-regulação que esta constantemente trabalhando para manter o corpo em homeostase - um estado óptimo do contrapeso, de harmonia, do equilíbrio e da estabilidade. Considerados estes termos, podemos definir o stress como um rompimento de nosso equilíbrio interno, um distúrbio de nossa homeostase natural. A pesquisa indica agora que muitos dos efeitos mais poderosos da flutuação resulta da tendência retornar o corpo a um estado de homeostase. Quando vemos a mente e o corpo como um único sistema, torna-se claro que os estímulos externos estão constantemente militando o encontro do equilíbrio do sistema, cada ruído, cada grau de temperatura acima ou abaixo do nível óptimo do corpo, cada encontro com outras pessoas, tudo que nós vemos e a sensação pode perturbar a nossa homeostase. Mas quando nós entramos na cápsula, nós paramos de abruptamente fazer ajustes constantes aos estímulos externos. Desde que não haja nenhuma ameaça externa, nenhuma pressão para adaptar-se aos eventos exteriores, o sistema pode devotar todas suas energias a restaurar-se. O Estado normal, naturalmente, é com saúde, vigor, entusiasmo, e prazer imenso em estar vivo.”

© Michael Hutchinson

 
   
   
   
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